Equinocultura: hobby ou negócio?

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Por Antonio Celso Fortino

Criar cavalos no Brasil ou participar de alguma forma da cadeia produtiva do agronegócio do cavalo carrega um estigma de milionário ou rico, muitas vezes tido como um hobby de “bacana”.

Quem de alguma forma tem como atividade profissional/econômica algo ligado à cadeia produtiva do cavalo, sabe a dificuldade de se explicar para a maioria da sociedade brasileira que se trata de uma profissão, que muitas pessoas vivem dela e ajudam a gerar renda e postos de trabalho diretos ou indiretos através dela.

Quando você exerce a odontologia equina e fala que é um dentista de cavalo, quando você é um podólogo de equino e fala que é um ferrador de cavalo, quando você é um cavaleiro profissional e até mesmo quando você é um tratador de cavalos, as reações são, na maioria das vezes, de espanto e de dúvida. Isso pode ser um negócio ou um hobby?

Esse rótulo foi criado no passado e perpetua entre os maus informados até hoje, inclusive em lugares que deveriam respeitar, reconhecer e incentivar a potencialidade econômica/social da equinocultura brasileira, que são os departamentos governamentais, federais, estaduais e municipais.

Já é mais que sabido que a indústria do cavalo emprega mais que a indústria automotiva. São mais de 600 mil empregos diretos e mais de 2 milhões indiretos. Tratador, cavaleiro, ferrador, veterinário jamais serão substituídos por robôs, drones ou aplicativos de celulares.

O cavalo vai sempre comer ração, os medicamentos serão sempre necessários, as terras terão que serem compradas para fornecer o verde, que precisará ter trator para plantar, que terá que ter tratorista, que terá que adubar para plantar, que precisará de armazém, cerca, luz, água, etc.

A consolidação do agronegócio do cavalo deveria começar pelos departamentos da economia e agricultura, desmistificando o agronegócio do cavalo, enxergando o tamanho desse mercado e sua potencialidade, e criando incentivos e planos de investimentos, assim como são feitos para você criar codorna, boi, jacaré… ou plantar soja, milho, cana, etc.

Hoje você consegue um financiamento agrícola para construir um ranário, mas não consegue para construir baias para cavalos ou uma pista de treino.

Associações de raças de cavalos responsáveis pelo fomento, aprimoramento genético, mapeamento genealógico e também empregadora de mão-de-obra especializada são em grande parte responsáveis pelo incentivo e movimentação de R$ 16 bilhões anuais que a indústria do cavalo movimenta, e sabe o quanto elas recebem de volta dos órgãos governamentais?

NADA!!!!!

Não recebem um único real. Pelo contrário: o pouco que tinham de privilégio estão perdendo. Associações do QUARTO DE MILHA, BRASILEIRO DE HIPISMO, MANGALARGA, ÁRABE, APALOOSASA, que têm suas sedes alocadas no parque agropecuário da Água Branca, em São Paulo, agora estão sendo despejadas, porque o parque será privatizado. Parque este que foi doado pela família MATARAZZO e criado especificamente para fomentar o agronegócio.

O perfil do mercado da equinocultura tem mudado, alguns seguimentos mais rápidos, outros mais lentos, e alguns nem se atentaram para o fato de se enquadrar, que com certeza o tempo irá determinar seu destino.

Ainda estamos olhando somente para dentro do país. Quando resolvermos as barreiras sanitárias (MORMO) criadas pelos incompetentes órgãos governamentais, seremos exportadores de cavalos e ainda traremos muitos dólares para o Brasil.

Viabilizar o negócio do cavalo é tão necessário quanto qualquer outro negócio, e quem se preocupar com isso terá um negócio de sucesso, pois a demanda de certas raças não para de subir e isso significa melhores preços e maiores lucros.

Hobby ou negócio?

Ambos podem existir, mas com certeza o negócio se tornará representativo e respeitado .

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